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sexta-feira, 22 de março de 2019

Um novo amanhecer


[B]Quando somos descrentes, por muitas vezes podemos ser pegos de surpresa.

[B]Um conto Alucard.

Nunca esperamos que o mundo pudesse chegar neste extremo. Quando as coisas começaram a mudar, só haviam rumores de ameaças de guerras e genocídios por toda Terra. Isso era um fim que sempre soubemos que poderia acontecer, e hoje estou no meio de tudo. Um mundo destruído, caos por toda parte, onde todos os sentimentos acabaram. Até Deus,  aqui, parece que deixou de existir, e somos todo o resto que sobrou. As primeiras desgraças que aconteceram, foram as empresas com a ganância desenfreada e seus donos porcos e demoníacos sem pensar no bem-estar de ninguém. Destruíram quase todo o meio ambiente. Isso foi secando quase todas as formas de tirar um alimento saudável da Terra.
Hoje, a comida do mundo é escassa. Tudo se resume novamente à caça. Animais que antes eram domésticos, hoje são nossos inimigos, pois a lei da sobrevivência os levou à loucura, assim como também a humanidade. Depois da terceira Guerra Mundial, que se iniciou em uma retaliação ao poder Americano sobre o planeta, que aliados à forças que desconhecíamos, esconderam do resto do mundo a existência de uma inteligência superior que sempre existiu. Desde a antiguidade, sempre nos observaram e, quem sabe, eram chamados de deuses.

Quando a verdade decidiu aparecer, foi para nos destruir definitivamente. Mas antes, em desespero, um ataque nuclear em massa entre as nações Rússia e China,  aliados à Coréia do Norte, lançaram um ataque devastador aos Estados Unidos, França e Reino Unido! Que, em reposta, quase destruíram estas nações também. O resultado: a quase extinção de tudo que conhecemos. Agora, no mundo que sobrou, nos tornamos sobreviventes.
Eu me tornei um destes que vagam por essa desilusão, já perdi tudo que eu tinha. Hoje não se pode confiar nem na própria sombra, pois até as mães comem seus próprios filhos assim que nascem, para manter sua própria vida inútil. Esta cena eu mesmo vi, e por não suportar ver aquela imagem grotesca, dei cabo daquela vida miserável! Porque assim que a mulher em gritos deu à luz, achou forças ainda para, com uma pedra, matar batendo na cabeça do recém-nascido, e começou a devorá-lo devagar. Presenciar aquilo, ainda me causava náuseas! Então, não suportando, mirei minha arma em sua cabeça e dei cabo daquela existência miserável.
Sobreviver e matar foi o instinto que restou neste mundo miserável, não há outra alternativa, assim como o Deus que nos refugiava em nossas orações, que nem existe mais. Até  mesmo o demônio sumiu, porque hoje somos piores que ele.
Na grande maioria, matamos por diversão, disputando um lugar neste inferno! Eu, por minha vez, passo a procurar ainda um lugar onde possa manter minha santidade, ando onde deveria ser a cidade que nasci à procura de meus filhos. Eles deveriam estar aqui, mas já passou muito tempo. Tenho que tentar pensar que ainda estão vivos, mas dentro de mim algo já me faz aceitar suas mortes. Eles foram criados pacatos por sua mãe, e não um animal como eu!
Uma espécie que hoje domina essa lixeira, pois nunca tive sentimentos por nada, a não ser por eles. O resto, sempre destruí sem piedade... Deve ser por isso que ainda me mantenho de pé, mas já lutava antes de tudo acontecer, e hoje luto ainda mais para procurar o que possa restar de minha existência anterior, que seria minha família. Demorei muito pra chegar até aqui. Quimometros se tornaram verdadeiros campos de guerra, não há um passo que não se ache o fedor da morte no ar.

Minha maior esperança era que após a guerra eles sucumbissem na radiação. Isso os levaria à morte em segundos, o que, nestas condições, não seria tão ruim. Prefiro que estejam descansando, ao vê-los doentes como estes animais que vagam nesse inferno. Cheguei ao que parece ser o lugar onde vivi, mas como tudo à minha volta, parece desolado e destruído. Não vejo nada em pé, parece que minha família se foi. Apesar das lágrimas descerem por meu rosto, algo me trás paz... Eles não estão nesta realidade mais. Sim, era essa minha casa, ainda tenho lembranças daqui e de quando chegava do meu trabalho e encontrava minha família; minha esposa.
Deus, se ainda existe, não deixe que os ache da forma que vi, como o que sobrou dessas pessoas!
A porta não abre, vou ter que derrubá-la... Tudo aqui esta destruído, nada se parece com a casa organizada que foi. Stella sempre deixou tudo no lugar. Nossas coisas todas quebradas ao chão... Na torneira da cozinha ainda caem gotas de uma água que pode não estar mais boa para o consumo, mas é melhor eu encher essa garrafa pequena que carrego comigo. Agora já não sei quando vou ter essa chance de novo.

Um barulho no quarto de cima. Algo está mexendo lá em cima, no quarto dos meus filhos. Será que eles ainda estão aqui?
Depois de subir as escadas, continuo ouvindo o barulho. Gemidos, dor!

[B]- Quem está ai dentro? Me reponda!

[B]- Eu estou aqui! Me ajude, por favor.

Esta voz não pode ser... James, o meu filho.

[B]- James? É você?

[B]- Quem está ai? Me ajude, por favor, a luz da porta... feche, por favor, meus olhos não estão suportando a luz.

[B]- Sou eu, James, seu pai! Como está se sentindo? Eu cheguei, filho. Estou aqui.

Deus, eu pedi para não encontrá-lo assim! Maldição... por que nos abandonou desta forma? Sempre tentei ser a melhor pessoa do mundo antes desse seu jogo maldito se tornar o que se tornou. O James... ele sempre acreditou em você. Meu filho sempre foi um maldito rato de igreja. O que de errado ele lhe fez?

[B]- Pai, tenho fome! Você está diferente. Sua barba está branca kk.
Com a visão do meu filho naquele estado, não me contive de entrar em prantos. Ele estava fraco, decrépito, seu corpo cheio de machucado e feridas. Ele fedia a corpos. Corpos...
[B]- James... cadê seus irmãos?

[B]- Pai, eu estou com fome!!!

Meu filho pegou um machado, um que tínhamos guardado numa caixa de ferramentas no baú embaixo da minha cama. Eu não podia mais suportar vê-lo daquela maneira, se arrastando. James matou sua própria família, a nossa família.

[B]- Pai, preciso comer.... senti sua falta.

Deus me perdoe pelo que vou fazer, mas se você não me perdoar, dane se, você deixou tudo isso acontecer! Peguei minha faca da cintura e caminhei em direção de James.
[B]- Filho... me abrace!

[B]- Por que chora, pai? Só preciso de você. Não suporto mais a dor, estou faminto.

Ele estava muito fraco, mal podia se movimentar direito de tão magro, acabado e doente. Segurei a mão do machado. James tentava me atacar, mas rasguei sua barriga com a faca que eu segurava na outra mão. Meu filho morreu com lágrimas nos olhos, me olhando como se quisesse pedir perdão. Mas, quem precisava do seu perdão era eu... não pude chegar antes. Talvez eu poderia ter evitado o que aconteceu a eles antes. Vou descer e sair desse lugar, mas vou enterrar você, James, e os restos que estão em seu quarto. Mesmo sem saber de quem são... de Stella, sua mãe, ou de seus irmãos.

Pronto. Tudo aqui pra mim terminou com a procura da minha família, minha paz! Ela não haverá mais. Só uma coisa me restou: este inferno! Mas, agora só um sentimento está em meu coração... Minha sobrevivência aqui só tem um sentimento por quem causou isso...
MALDITOS!

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